quinta-feira, abril 13, 2006

Vícios



Lá vai o tempo em que escrever provocava calos nos dedos que fortemente agarravam a esferográfica. Podíamos analisar a paixão dos homens pela calosidade dos dedos. Mãos delicadas significavam boa vida, bom feitio e, sobretudo, pouca paixão pela ideia escrita. Pelo contrário, o dedo grande com o seu calo lateral, sempre significou a força das ideias transmitidas ao papel com a fúria de quem acredita no que pensa.
Hoje é diferente.
O teclado evita o calo!
A paixão da escrita está nas unhas.
Grande vício implica unha curta. Assim “empeça” menos nos quadradinhos pretos (ou brancos) do teclado.
No que me diz respeito, as minhas unhas estavam a crescer.
Mas….
Não resisto a um bom vício. Contrariando a primavera, em que tudo se expande, sinto as unhas contraírem, diminuindo de tamanho, como que sabendo que a natureza também se combate. O apelo místico tonifica o cérebro e faz fluir as ideias e as palavras. Faz, sobretudo, avolumar a trama e intensificar a teia.
O viciado avança mesmo quando adivinha a auto destruição. Segue o seu caminho com a certeza de que o porto seguro está na tormenta de que todos fogem. Sabe que a verdade inebria tanto como o mais sintetizado absinto.
Saúde, bons vícios e….Vivam as unhas curtas!

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